Dado Villa-Lobos lança novo álbum e relembra Renato Russo: “Não era esse cara todo, jogava Master conosco”
Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana, afirma que a canção “Que País É Este”, escrita por Renato Russo em 1978 e lançada em 1987, continua atual em 2026 porque o Brasil segue marcado por crises políticas e desigualdades. Para ele, a obra da banda de Brasília permanece relevante por captar, com poesia e urgência, as contradições do país. Influenciada pelo pós-punk de grupos como U2 e Joy Division, a Legião ajudou a mudar o cenário do rock nacional e deixou músicas incorporadas ao imaginário popular, como “Eduardo e Mônica” e “Faroeste Caboclo”, ambas adaptadas para o cinema.
Aos 60 anos, Dado diz estar se voltando mais para a carreira solo. Ele vê a parceria com Marcelo Bonfá, com quem fez shows comemorativos desde 2015, em pausa. Os dois devem se reencontrar apenas em agosto, no festival C6, para tocar o álbum “Dois” na íntegra. Ao mesmo tempo, o músico critica o impasse jurídico sobre o uso da marca Legião Urbana, que se arrasta há anos. Embora a 4ª turma do STJ tenha autorizado Dado e Bonfá a usar o nome em atividades profissionais, o caso continua parado após pedido de vista da ministra Isabel Gallotti.
Villa-Lobos também lança seu quarto álbum de estúdio, “O Que Você Quiser”, que chega ao streaming em 28 de maio. O disco foi produzido ao longo da pandemia e combina temas sombrios ligados ao período da covid-19 com faixas mais luminosas, em especial aquelas inspiradas na família e nos netos, como “Dois Brilhantes”, com participação de Tiago Iorc. “Adeus Bem-vinda” conta ainda com colaborações de Humberto Gessinger e Herbert Vianna. Dado descreve o trabalho como um disco de resiliência, feito em meio ao caos social e político do Brasil.
Na entrevista, ele também revisita a imagem de Renato Russo. Para Dado, um dos maiores equívocos é tratá-lo como alguém excessivamente genial ou inacessível. Segundo ele, Renato tinha simplicidade, gostava de coisas comuns e confiava nas pessoas ao seu redor para fazer a banda acontecer. O guitarrista lembra que, apesar do talento, havia limitações e momentos de atrito criativo dentro da Legião.
Dado avalia ainda que a banda perdeu parte da energia punk inicial ao longo da trajetória, mas reconhece que isso faz parte das oscilações naturais de um grupo que amadurece. Para ele, o rock perdeu espaço no consumo atual, dominado por algoritmos e playlists, embora projetos especiais e shows comemorativos ainda mantenham viva sua relevância. Depois de uma década de apresentações com Bonfá, ele diz querer desacelerar e viver uma fase mais leve.





