Loxam paga R$ 3,8 bilhões pela Mills e tira companhia da Bolsa

O grupo francês Loxam fechou um acordo para adquirir o controle da Mills, maior empresa brasileira de locação de máquinas e equipamentos, em uma transação que avalia a companhia em R$ 3,8 bilhões. Pelo acordo, a Loxam pagará R$ 16 por ação aos acionistas controladores — família fundadora Nacht, Southern Cross Group e família Oxenford — que detêm 50,2% do capital. O preço representa prêmio de 22% sobre a cotação de mercado e leva a Mills ao maior valor de bolsa desde 2014. A operação ainda depende de aprovação do Cade e, como envolve a compra do bloco de controle, a Loxam deverá fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) aos minoritários nas mesmas condições.
Segundo o CEO da Mills, Sergio Kariya, as negociações começaram há cerca de seis meses e foram conduzidas com foco em preservação do legado da companhia. Ele afirmou que a família fundadora buscava um parceiro capaz de perpetuar o negócio com valores culturais alinhados, especialmente em relação às pessoas e ao meio ambiente. A transação ocorre em meio a uma estratégia de complementaridade entre os negócios das duas empresas: a Mills é forte em plataformas elevatórias, equipamentos pesados e soluções de intralogística, escoramento e forma, enquanto a Loxam atua no Brasil com equipamentos compactos, torres de iluminação e geração temporária de energia.
A Loxam é a maior locadora de equipamentos da Europa e a quinta maior do mundo. No ano passado, a companhia registrou receita de € 2,5 bilhões. No Brasil, entrou em 2015 com a compra da Degraus, empresa focada em plataformas elevatórias. O grupo ampliou sua presença no país em 2023, ao adquirir a Motormac Rental e a A Geradora, especializada em aluguel de geradores. Em 2025, a Loxam faturou R$ 580 milhões no mercado brasileiro.
Com a compra da Mills, os franceses passam a incorporar a principal empresa de plataformas elevatórias da América Latina, fundada em 1952 pelo imigrante romeno José Nacht. No primeiro trimestre, a Mills reportou receita bruta de R$ 502 milhões, alta de 10,7% na comparação anual, e lucro líquido de R$ 197 milhões, quase três vezes superior ao de um ano antes. A alavancagem caiu para 1,1 vez, redução de 0,3 vez no período.
Nos últimos dois anos, a Mills também reforçou sua posição via aquisições, comprando a JM Empilhadeiras por R$ 279 milhões e a Next Rental por R$ 180 milhões. Kariya afirmou que a venda não altera a estratégia operacional da empresa, que segue focada em crescimento orgânico, expansão de frota e aquisições. Os próximos passos, incluindo a definição sobre a continuidade da atual gestão, serão discutidos após a aprovação do Cade.
As ações da Mills acumulam alta de 24% nos últimos 12 meses, e a companhia vale R$ 3,1 bilhões na B3. Na operação, a Mills contou com assessoria do Lazard e dos escritórios Lefosse e Trindade Advogados, enquanto a Loxam foi assessorada pela EuroLatina Finance e pelo Spinelli Advogados.

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