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Euphoria Season 3 Sparks Backlash for Allegedly Using Women’s Bodies as Bargaining Chips

A terceira temporada de Euphoria reacendeu o debate sobre os limites entre representação artística e exploração do corpo feminino, questão que acompanha a série desde sua estreia na HBO em 2019. Desta vez, porém, a recepção do público parece mais crítica. Se antes o choque visual e a estética neon ajudavam a disfarçar os excessos criativos de Sam Levinson, os novos episódios expõem com mais clareza a centralidade da hipersexualização das personagens femininas como eixo narrativo.

Para Marina Polidoro, do CultPop, ligado à UFF, a série constrói o erotismo sem um olhar crítico sobre o sofrimento e a exposição das mulheres, o que pode torná-la especialmente problemática para o público jovem. Segundo ela, o desejo em Euphoria aparece quase sempre mediado por relações heterossexuais em que o corpo feminino funciona como moeda de troca e palco da fantasia erótica masculina. Na avaliação da pesquisadora, isso não subverte o olhar tradicional; ao contrário, reforça um “male gaze” bem definido, em que as mulheres são enquadradas a partir de um ponto de vista masculino e heterossexual.

A crítica se intensifica ao comparar a forma como a série trata homens e mulheres. Enquanto os personagens masculinos ganham arcos ligados ao poder, aos negócios e à dominação, os femininos seguem concentrados em nudez, fetichização e mercantilização do próprio corpo. Cassie, interpretada por Sydney Sweeney, aparece como uma das figuras mais afetadas por esse mecanismo, servindo como vitrine do desejo visual da série sem receber a mesma profundidade psicológica. Jules, vivida por Hunter Schafer, também é inserida em situações que reforçam a exploração sexual, como a dinâmica de sugar baby e práticas extremas para satisfazer clientes. Rue, por sua vez, entra em outra camada de problematização ao trabalhar em um espaço que lucra com a exploração feminina, sem que a série aprofunde criticamente essa escolha.

Segundo Polidoro, o amadurecimento da audiência também alterou a recepção da obra. Parte do público que começou a assistir à série ainda jovem agora estaria mais atento ao tratamento dado às personagens e à ausência de reflexão sobre a violência simbólica por trás das cenas erotizadas. A linha entre representação legítima e exploração, afirma ela, não depende apenas da imagem, mas do texto e do olhar crítico que o roteiro deveria oferecer sobre aquilo que mostra.

A pesquisadora argumenta que Euphoria transforma vulnerabilidade em espetáculo e glamouriza processos de exploração, em vez de questioná-los. Para ela, a série falha ao não permitir que as próprias personagens reconheçam ou problematizem sua exposição. O resultado é um universo em que o desejo feminino quase não existe de forma autônoma: ele é filtrado, controlado e exibido sob o olhar de Levinson. Nesse cenário, a narrativa reforça uma lógica em que os corpos das mulheres pagam o preço da história, enquanto os homens permanecem ligados ao controle e ao poder.

Harish Yadav

Editor at PPC Herald, handles news and article writing and proofreading.

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